Chamada de mentirosa, ardilosa e covarde, advogada fala sobre ter sido ofendida por promotor durante júri em Taguatinga (TO)

“Esse que é mentiroso e essa daqui é uma rata”, relatou a advogada Pâmella Abel dos Santos ao Jornal Opção Tocantins sobre as palavras que lhe foram dirigidas de forma direta pelo promotor de Justiça Breno Simonassi, durante plenário do Tribunal do Júri em Taguatinga, no dia 4 de junho de 2025.

A advogada afirmou ainda que, além de se sentir desrespeitada, percebeu que “a atuação pífia, misoginia dele só mostrou o despreparo técnico” do promotor durante a sessão.

Segundo a defensora, as ofensas começaram já nos minutos iniciais da sustentação oral. “Ele fez os cumprimentos falando que ia desmascarar os réus e a defesa doutora Pâmella. De forma direta, já citando meu nome nos sete primeiros minutos iniciais”, contou.

Ao longo da sessão, a advogada afirma que foi chamada de “sorrateira, ardilosa, mentirosa”, em referência também aos colegas de defesa João Ricardo Batista e Letícia Moreira. Pâmella relatou ainda que, em relação ao advogado Myqueias Balbino, de Uberlândia, o promotor afirmou que ele era “igual a carroça, só tinha barulho e nada de conteúdo”, além de chamá-lo de “mentiroso”.

As acusações verbais, segundo ela, vinham de um processo anterior, em fevereiro, quando atuou em uma defesa. Na ocasião, os réus foram absolvidos após julgamento que havia sido anulado a pedido do Ministério Público, na busca por ampliar a condenação.

Segundo Pâmella Abel, durante o júri em questão, o advogado João Ricardo Batista postou nos stories um vídeo que mostrava apenas ela e ele, sem revelar nenhum jurado ou o resultado do julgamento. “Mostrava só eu e ele, em um trecho do encerramento, mas não mostrava a votação nem o resultado efetivo de quem era o réu”, relatou.

A advogada explicou que, após a divulgação, o promotor Breno Simonazzi ficou irritado, pois, segundo ele no júri, “em 11 anos de promotoria nunca perdi um júri” e, neste caso, os réus saíram absolvidos.

Toda a situação aconteceu no julgamento de junho que, conforme a advogada, não tinha relação com o anterior [com o de fevereiro]. “No início da fala do promotor, ele já faz os cumprimentos falando que vai desmascarar os réus e a defesa doutora Pâmella.

De forma direta, já citando o meu nome nos sete primeiros minutos iniciais”, relatou. A advogada destacou que toda a sustentação oral pode ser conferida na internet. “Durante toda a oração dele, ele continuou falando de mim, dizendo que nós fomos sorrateiros porque gravamos isso e aquilo”, relatou.

Diante deste episódio, Pâmella pediu o registro em ata das expressões usadas no plenário, diante do juiz presidente, jurados, servidores e demais presentes. “Além do xingamento de rata, teve vários outros”, disse.

A repercussão levou a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Tocantins (OAB-TO) a deliberar, por unanimidade, a realização de um ato público de desagravo em favor da profissional, nesta quarta-feira, 27.

O jornal procurou o promotor, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço continua aberto.

Fonte e texto: Jornal Opção