Marcha Virtual: militares buscam aumento salarial pela internet


Por
proibição constitucional, os militares das Forças Armadas não podem fazer
greve. 


E por conta disso ficam reféns de uma situação que não podem nem mesmo
reivindicar os próprios aumentos de salários.


A
situação na caserna está tão feia, que fontes não oficiais dizem que mais de
70% dos militares estão endividados até o pescoço, principalmente com
empréstimos consignados.


A
situação se agrava mais ainda porque os integrantes das Forças Armadas não tem
outra fonte de renda.


Primeiro
porque trabalham mais de 8 horas por dia – dedicação integral. Depois em
virtude de a própria lei os proibir de exercer qualquer outra atividade. 


Sem
força para barganhar, com a má vontade do governo e ainda com um resquício de perseguição
ideológica ainda aflorado, a situação fica insustentável.


O
último aumento da categoria ocorreu em 2008, divididos em três parcelas de
cerca de 10% cada. 



Algumas patentes chegaram a ter 40% de aumento, mas logo corroído
pela inflação e pelo imposto de renda.


Mas o
pior de tudo isso é que os militares são acionados para qualquer situação em
que o governo se sinta em dificuldades. Ou seja, trabalho não falta.


São exemplos as ocupações do complexo do alemão e da penha, as campanhas da dengue, eventos
de segurança internacional como o Rio+20, enchentes, secas, além das missões
tradicionais das corporações.


O
governo, o Senado, a Câmara, todos dão de ombro para a situação.


Cansados
de esperar, os militares começaram uma mobilização inusitada: pressionam pela
internet.


Segundo
o site da Revista Veja, até o início da última segunda-feira (4), haviam sido
coletadas mais de 206 mil assinaturas de militares e civis em apoio ao
movimento.


Essas
assinaturas embasaram um pedido já enviado para o Senado, solicitando a
realização de audiência com autoridades como os ministros da Defesa, Celso
Amorim, e do Planejamento, Miriam Belchior, para tratar do aumento salarial
numa comissão do Senado.


O movimento já
está sendo chamado de “marcha virtual”.


O
assunto já foi parar no Planalto, mas não está sendo objeto de avaliação pelo
palácio, que apenas acompanha as informações.


O
assunto só preocupa o governo porque, paralelo à marcha virtual, as mulheres
dos militares estão programando um “panelaço” para ser realizado
durante a Rio+20, quando o Brasil receberá cerca de 120 chefes de Estado e de
Governo para a conferência mundial do meio ambiente.


A
convocação das mulheres também está sendo feita pela redes sociais.


No link da
página do Senado, onde pedem adesão para que o assunto “reajuste salarial”
seja discutido no Congresso, os militares lembram que “não há aumento há
mais de onze anos e a classe se vê obrigada a fazer empréstimo consignado para
sobreviver e não passar por privações”.



queixas de todas as regiões do País sobre seus os comandos para que o tema seja
levado ao Palácio do Planalto.

No
Ministério da Defesa, a informação é que o assunto “é objeto de tratativas
das áreas técnicas da Defesa com Planejamento”, mas não há a menor
previsão de quando o assunto poderia ser levado para esferas superiores ou de
quanto poderia ser a proposta de reajuste.



Um verdadeiro desrespeito a uma das instituições mais sólidas e necessárias do Estado brasileiro.

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